A venda da SAF do Vasco ao investidor Marcos Faria Lamacchia avança, mas segue envolta em incertezas. O cenário foi inflado pelo bloqueio de um empréstimo de R$150 milhões que vinha sendo articulado como alívio financeiro imediato para o clube, o que mantém pressão sobre a gestão do presidente Pedrinho e sobre o calendário da operação.

Marcos Lamacchia é empresário com atuação no mercado de investimentos e filho de José Roberto Lamacchia, conhecido pela ligação com a Crefisa; sua mãe, Júnia Faria, integra a família ligada ao Banco Alfa. A operação é capitaneada por Marcos, com José Roberto atuando como avalista, e não envolve diretamente a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, conforme esclarecimentos públicos recentes.

O processo teve idas e vindas que, segundo o advogado da família, André Sica, atrasaram e desgastaram a negociação. Essa oscilação política dentro do Vasco tornou o caminho mais tortuoso, e só a persistência da diretoria permitiu que uma proposta formal da Almirante Participações chegasse a ser registrada como referência mínima para o processo competitivo.

A proposta de Lamacchia prevê a assunção das dívidas da SAF, a serem pagas conforme o cronograma da recuperação judicial. Em reunião, o investidor se comprometeu a garantir e antecipar recursos necessários às obrigações previstas para os próximos dois anos. Ainda não há fechamento: o mecanismo acordado é competitivo — terceiros podem apresentar ofertas superiores, e Lamacchia teria direito de igualar a melhor proposta.

Se nenhuma terceira proposta superar a referência, a oferta da Almirante é declarada vencedora e o caso segue para deliberação interna do Vasco — primeiro ao Conselho Deliberativo e depois à Assembleia Geral — antes da constituição formal da nova SAF. Até lá, o bloqueio do empréstimo e a necessidade de validar etapas judiciais e associativas mantêm o clube em situação vulnerável e com pouco espaço para erro político e econômico.