Vinícius Júnior afirmou, após a derrota do Brasil para a Noruega, que a decisão sobre quem executaria o pênalti foi tomada por Carlo Ancelotti antes da partida. O camisa 7 garantiu que estava disposto a assumir a cobrança, mas respeitou a ordem definida pela comissão técnica, que acabou escolhendo Bruno Guimarães — jogador que não converteu a penalidade e viu o lance ser decisivo no resultado.
A justificativa apresentada pela comissão foi baseada em levantamento estatístico do último ano sobre aproveitamento em cobranças. Segundo a lista divulgada pela equipe técnica, a sequência prevista apontava Neymar, Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Martinelli como os principais nomes para as cobranças, na ausência dos primeiros. A definição prévia, segundo a comissão, visou reduzir improvisos em momento de pressão.
Os números individuais também entraram no contexto: Bruno vinha de duas cobranças convertidas pelo clube na última temporada europeia, mas não atuava como cobrador principal da Seleção; Vini Jr, por sua vez, tem histórico recente de penalidades pelo Real Madrid (sete cobranças na temporada 2025/2026, com cinco acertos) e já havia convertido pela Seleção em amistoso de 2023. Mesmo assim, a ordem adotada deixou o jogador do Real fora da execução no confronto.
A situação reabre um debate prático e político dentro da Seleção: delegar decisões a um ranking estatístico reduz a margem de erro em teoria, mas, quando os nomes à frente não estão em campo, a escolha passa a concentrar risco e cobrança sobre quem fica. O erro de Bruno tende a gerar desgaste pontual para a comissão e a reforçar a necessidade de protocolos claros para momentos decisivos, além de aumentar a pressão sobre os jogadores escolhidos em partidas com alto grau de exposição.