Luiz Felipe Scolari revelou no programa Seleção Copa que, durante visita à concentração na Granja Comary, ouviu de Vinicius Júnior a promessa de marcar seis gols ao longo da Copa do Mundo. A declaração surgiu como anedota do técnico, mas imediatamente ganhou contornos de meta pública após o gol de Vini que assegurou o empate do Brasil contra Marrocos.
O episódio expõe duas forças que acompanham o camisa 7: a confiança técnica, reforçada pelo desempenho no Real Madrid e pela participação direta em gols no ciclo recente da seleção, e a pressão adicional que metas explícitas geram sobre um atleta em torneio eliminatório. Felipão, ao comentar a promessa, tratou com humor e disse querer 'botar uma pressãozinha' — gesto que alimenta expectativa entre torcida e imprensa.
Na prática, o gol na estreia é um início consistente para quem traçou ambição alta — superior, por exemplo, à marca de Romário em 1994 —, mas não o transforma em favorito automático à artilharia. A regularidade em jogos decisivos, esquema tático de Ancelotti adaptado à Seleção e marcação adversária determinarão se o número anunciado se concretiza.
Para o torcedor, a promessa tem efeito prático: aumenta a cobrança por protagonismo e decisões ofensivas do Brasil nas próximas partidas. Para a comissão técnica, cria um sinal claro de que o atacante encara a competição com ambição elevada — algo positivo se convertido em gols, problemático se virar fator de ansiedade ou decisões individuais forçadas.