Vini Jr., Kylian Mbappé e Ibrahima Konaté chamaram atenção antes da partida entre Elche e Real Madrid (2 a 3) ao entrarem em campo com uma camisa de solidariedade a Ceuta enrolada até a altura do peito. A peça trazia a frase “Todos somos caballas”; Vini e Mbappé a retiraram antes do cumprimento protocolar, e Konaté também não exibiu o texto por completo.

A camisa fazia parte de uma ação adotada em jogos da sexta rodada do Campeonato Espanhol, com a mensagem de apoio à cidade autônoma de Ceuta — que, no fim de julho, viveu uma chegada massiva de migrantes vindos do Marrocos e passou a ser foco de tensão diplomática. A iniciativa teve adesão institucional em algumas partidas e levava ainda o nome de Ceuta e o escudo da Espanha no verso.

Fontes internas do Real Madrid, ouvidas por El País e Cadena SER, disseram que o clube aceitou a proposta da campanha, mas respeitou as decisões individuais dos atletas. O episódio ganhou repercussão também após a reação às fotos de Ez Abde, do Betis, criticado nas redes; o atacante marroquino defendeu que o gesto tinha caráter social e não político.

O caso revela um dilema em alta para clubes com alcance global: manifestações simbólicas podem ter forte carga política e diplomática. Ao apoiar a ação institucionalmente e, ao mesmo tempo, permitir que jogadores não a exibam, o Real Madrid evita impor uma posição oficial, mas fica com a tarefa de administrar interpretações públicas e eventuais custos reputacionais. Jogadores, por sua vez, passam a decidir entre solidariedade pública e precaução diante de um tema sensível.