Kevin Viveros virou neste ano a principal referência ofensiva do Athletico e um dos artilheiros do Brasileirão, mas a trajetória até a vitrine do futebol brasileiro começou em condições duras. Nascido em Buenaventura, principal porto da Colômbia, o atacante cresceu em um município marcado por violência e falta de oportunidades. Desde criança carregou a responsabilidade de ser a esperança da família e iniciou nos campos de areia locais, muitas vezes sem chuteiras adequadas, até conseguir apoio para tentar a vida no futebol.
Formado em escolinhas locais, Viveros estreou como profissional em 2018 pelo América de Cali e passou por Atlético Cali e Itagüi Leones. A carreira, no entanto, teve um dos pontos mais difíceis em 2021: sem acordo para renovar, passou um ano treinando sem contrato e sem salário, à espera de uma oportunidade. A saída veio apenas com a proposta do Carabobo, na Venezuela, onde reencontrou ritmo e confiança: marcou 21 gols em 34 jogos e terminou como goleador da temporada de 2022, conquistando a torcida e o apelido 'El Tren'.
A ambição por jogar na Europa trouxe uma passagem curta e frustrante pelo FK Sarajevo em 2024 — ali, teve poucas chances e pouco tempo de jogo, o que acelerou a decisão de buscar retorno à América do Sul. Ainda em 2024, acertou transferência para o Atlético Nacional antes de chegar ao Athletico, clube onde consolidou-se como destaque da temporada e como um dos nomes mais comentados do Brasileirão. A soma de resultados e presença em campo transformou-o numa solução concreta para as necessidades ofensivas do time paranaense.
O histórico de Viveros reúne elementos que explicam a força do momento: habilidade nas finalizações, resistência a períodos de adversidade e senso de responsabilidade familiar que o motivou desde jovem. A experiência na Venezuela, onde se projetou, e o trauma do ano parado dão ao atacante um perfil de jogador resiliente, com pressões internas para manter rendimento e expectativas externas por gols e regularidade.
No discurso, evitou dramatizar a trajetória e ressaltou gratidão às pessoas que o ajudaram a dar os primeiros passos. Identificado com o apelido que ganhou na torcida venezuelana, ele se descreve como jogador direto e determinado, voltado a buscar sempre o gol. Para o Athletico, a cobrança é grande: além de transformar adversidades pessoais em desempenho, Viveros agora carrega a responsabilidade de sustentar resultados e alimentar as ambições do clube na temporada.