O goleiro Vozinha encerrou a participação de Cabo Verde na Copa do Mundo com 18 defesas em quatro partidas, cifra que o transformou em um dos nomes mais lembrados do torneio. Aos 40 anos, o veterano foi exigido ao máximo: realizou sete defesas no empate por 0 a 0 com a Espanha e outras oito diante da Argentina, na partida que selou a eliminação da seleção africana.
Os números ganham dimensão histórica quando confrontados com estatísticas de grandes campanhas: segundo o perfil OptaJoe, apenas goleiros como Peter Shilton (1990) e Dino Zoff (1982) registraram mais defesas em um único Mundial — mas ambos atuaram em sete partidas, enquanto Vozinha alcançou a marca em apenas quatro jogos. Parte do total se explica também por confrontos em que recebeu menos trabalho, como o empate sem defesas diante do Uruguai e as três intervenções contra a Arábia Saudita.
Além da performance em campo, o Mundial transformou a visibilidade do jogador. O outro dado incontornável é o salto nas redes: Vozinha saiu de cerca de 46 mil seguidores para superar a marca de 19 milhões no Instagram, reflexo imediato do interesse global por sua história e por atuações que chegaram a impedir um possível hat-trick de Messi em determinado momento do torneio.
Apesar do brilho pessoal, a narrativa da seleção termina em eliminação: as defesas do veterano reduziram danos e geraram momentos de drama, mas não foram suficientes para converter recurso individual em avanço coletivo. O legado de Vozinha no Mundial é duplo — destaque estatístico entre os goleiros mais veteranos e lembrança concreta de que performances heroicas, por mais vistosas, nem sempre bastam para transformar o destino de uma equipe.