Onde você gostaria de estar aos 19 anos? Lamine Yamal e Pau Cubarsí terão a resposta de forma pública: entrarão em campo como titulares na final da Copa do Mundo, domingo às 16h (de Brasília), no estádio de Nova York e Nova Jersey, para enfrentar a Argentina. A cena é rara e carrega peso simbólico — ambos são produtos da base do Barcelona e já convencem o técnico Luis de la Fuente.
O que torna a presença dos dois ainda mais notável é um feito estatístico: em 22 edições do Mundial, apenas oito jogadores com menos de 20 anos participaram de decisões e todos saíram campeões. Nomes como Ruben Moran (1950), Pelé (1958), Bergomi (1982) e Mbappé (2018) aparecem na lista. Entre reservas que levantaram a taça figuram Mazzola (1958), Coutinho (1962), Marco Antônio (1970) e Ronaldo Fenômeno (1994). Nunca um adolescente envolvido em uma final voltou para casa com o vice-campeonato.
No duelo deste domingo está em jogo, além do título, a manutenção dessa invencibilidade histórica. Yamal, que completa 19 anos dias antes da decisão, e Cubarsí, com 19 anos e 178 dias, chegam com autoridade: o zagueiro respondeu a críticas com frieza, e o atacante tem tratado a experiência com naturalidade, repetindo que não sente o peso da responsabilidade. Essas posturas reforçam a imagem de maturidade técnica e mental que a comissão técnica da Espanha tem mostrado valorizar.
Politicamente relevante para o futebol espanhol, a presença de duas crias do Barcelona numa final coloca em evidência o papel das bases no sucesso nacional. A Espanha busca o bicampeonato (venceu em 2010), enquanto a Argentina mira o tetracampeonato (1978, 1986 e 2022). Para o público e para o mercado, o resultado terá efeito imediato: confirmará ou colocará à prova a narrativa sobre a nova geração espanhola e sobre o histórico invicto de adolescentes em decisões mundiais.