Lamine Yamal, atacante de 19 anos da seleção espanhola, repudiou publicamente cânticos islamofóbicos entoados por torcedores no amistoso contra o Egito, realizado no RCDE Stadium, em Barcelona. Filho de pai marroquino e praticante do islã, Yamal usou as redes para expor o impacto pessoal do episódio e cobrar respeito dentro do estádio.

Durante o jogo que terminou 0 a 0, houve um coro de vaias ao hino egípcio seguido por um canto que transformava a religião em provocação. O árbitro búlgaro Georgi Kabakov não acionou o protocolo antidiscriminação da Fifa, enquanto o sistema de som do estádio acabou exibindo mensagem pedindo o fim dos cânticos.

Sou muçulmano e ouvir cânticos que ridicularizam a religião é falta de respeito e intolerável.

No Instagram, o jogador contextualizou sua posição: lembrou a ligação com a fé e disse que o tipo de insulto extrapola o ambiente esportivo. Também agradeceu aos torcedores que apoiaram a seleção, mas classificou como inaceitável o uso de crença religiosa como alvo de chacota nas arquibancadas.

A Federação Espanhola de Futebol, o Espanyol — clube anfitrião — e o governo da Catalunha condenaram as manifestações e anunciaram investigação para identificar responsáveis. O ministro do Desporto da Catalunha afirmou preocupação com a presença de discursos de ódio nas arenas, apontando que o futebol não pode ser espaço para esses grupos.

O episódio acende um debate sobre a eficácia dos mecanismos de combate a discriminação nos estádios e sobre a responsabilidade de clubes e federação na prevenção e punição. Às vésperas da Copa do Mundo, resta a exigência de respostas claras para evitar que casos semelhantes se repitam e prejudiquem a imagem do futebol espanhol.

Usar a religião como provocação nas arquibancadas revela ignorância e racismo; futebol é para torcer, não para humilhar.