Cabo Verde apresentou uma leitura de jogo e uma organização defensiva que contrariaram expectativas diante de uma Espanha cujo setor ofensivo acumulou 108 gols no ciclo para o Mundial. A equipe dificultou as penetrações pelo centro, obrigou os espanhóis a recorrerem às laterais e cortou 30 dos 36 cruzamentos tentados, limitando as chances claras.

No miolo da defesa, Diney Borges e Roberto 'Pico' Lopes foram a dupla que deu consistência ao sistema. Pico Lopes, que soma 47 convocações, tem trajetória atípica: nascido na Irlanda, foi integrado à seleção em 2019 após um contato via LinkedIn. Desde então, tornou-se peça regular e mostrou leitura e posicionamento precisos contra uma linha ofensiva adversária intensa.

Diney Borges também tem papel central: com carreira construída em Portugal e no Marrocos, chegou a ser artilheiro do FAR Rabat na temporada 2022/23, apesar da condição de zagueiro. Atualmente no Al Bataeh, soma boa experiência internacional e 32 partidas pela seleção, atributos que pesaram na contenção das investidas rivais.

As laterais fecharam o bloco. Steven Moreira, formado na França e com passagem de destaque pelo Columbus Crew, somou experiência e margem física; Sidny Cabral, 23 anos, vive acelerada ascensão após passagem pelo Estrela Amadora e indicação de José Mourinho, desempenho que resultou em transferência avaliada em €10 milhões. A combinação de disciplina tática e competitividade individual transformou a defesa em protagonista e elevou a credibilidade de Cabo Verde no torneio.