A República Democrática do Congo estreia oficialmente com este nome na Copa de 2026, mas a história do país no torneio remonta a 1974, quando ainda se chamava Zaire. Naquele Mundial, a equipe africana perdeu os três jogos, sofreu 14 gols e deixou a Alemanha Ocidental sob forte constrangimento político e esportivo — um episódio que extrapola o campo.
O então ditador Mobutu Sese Seko tratou o futebol como instrumento de propaganda: prometeu prêmios que motivaram os jogadores a lutar por vaga no Mundial. Depois da derrota inicial por 2 a 0 para a Escócia, atletas descobriram que parte da premiação fora desviada por dirigentes. Revoltados, cogitaram não entrar em campo, e a pressão externa da Fifa os obrigou a seguir viagem.
A desmotivação teve desfecho brutal: o Zaire foi goleado por 9 a 0 pela Iugoslávia — um placar que enfureceu Mobutu. Segundo relatos da época, o presidente não viajou, mas enviou delegação e guardas que, depois da humilhação, ameaçaram os jogadores com punições severas e até a morte caso perdessem por quatro gols ou mais diante do Brasil. Havia também denúncias de risco a familiares.
No confronto final, o Brasil venceu por 3 a 0. O time zairense entrou em campo aterrorizado; o lance que ficou famoso — Mwepu Ilunga correndo para afastar uma cobrança antes da batida — foi, segundo o próprio jogador e historiadores, uma tentativa deliberada de ganhar tempo e evitar outro gol. O caso é lembrança dura: revela como regimes autoritários podem transformar partidas em instrumento de poder, com custo humano para atletas e marcas duradouras na imagem do país.