Zé do Carmo completa 65 anos e voltou à televisão para revisar uma carreira cheia de causos e momentos decisivos. Capitão do Vasco campeão brasileiro de 1989, ex-volante de destaque no Santa Cruz e companheiro de nomes como Romário, Bebeto e Roberto Dinamite, ele aproveitou o quadro do GE para rir das histórias e, ao mesmo tempo, corrigir algumas versões que viraram folclore.
A mais famosa envolve o golaço de falta de Zico no Maracanã contra o Santa Cruz. A versão de que Zé teria participado de um papel dramático — parando para olhar o chute — foi classificada por ele como folclórica. Segundo o ex-jogador, a partida estava complicada, o time perdia e não houve tempo para esse teatro; Zico até brinca com o episódio quando se reencontram, mas a história cresceu sozinha.
Entre as lembranças menos folclóricas estão gols que, de fato, mudaram rumos na carreira. Em um domingo no Serra Dourada, pelo Santa Cruz, ele marcou um gol de calcanhar que entrou no programa 'Gol do Fantástico' e, segundo conta, rendeu um aumento salarial de 400% oferecido pelo então presidente Zé Neves — uma quantia significativa especialmente em período de hiperinflação. Também recorda a promessa de uma placa no estádio que nunca existiu, episódio que virou piada entre os companheiros.
Zé do Carmo rememora ainda o seu único gol com a camisa da seleção, em amistoso contra o Peru no Castelão às vésperas da Copa América, e admite que a concorrência naquele meio-campo tornava qualquer vaga improvável. No balanço pessoal, prefere o gol de calcanhar pelo Santa Cruz como o mais marcante — não só pela beleza, mas pelo impacto concreto na sua carreira e no bolso, algo que, garante, rendeu mais do que qualquer história inventada.