Zico, referência histórica do futebol brasileiro e figura central no processo de profissionalização do esporte no Japão, avaliou com cautela o confronto entre Brasil e Japão nas oitavas de final. Em entrevista ao Podcast B.A.R.C.A.S.T, o ex-camisa 10 ressaltou que a partida não será simples para nenhuma das seleções, sobretudo por conta da velocidade e da movimentação que os japoneses imprimem ao jogo.

O ex-técnico da seleção japonesa (2002–2006) lembrou que o Japão evoluiu e hoje tem características que complicam adversários sul-americanos. Zico citou a atuação consistente contra a Escócia e o desempenho irregular diante do Marrocos como sinais de um time competente, mas que também pode oscilar no posicionamento. Para ele, esse contraste exige cuidado do Brasil especialmente em transições rápidas e na marcação das movimentações ofensivas.

Sobre a Seleção, Zico avaliou que Carlo Ancelotti foi gradualmente definindo uma equipe mais segura ao longo da fase de grupos. Segundo o ex-jogador, encontrar um conjunto que jogue com confiança é determinante em jogos de mata-mata — ocasiões em que erros de leitura e lapsos de atenção tendem a ser mais punidos. A mensagem é clara: ter posse não basta se houver desatenção na cobertura e nas trocas de marcação.

O alerta de Zico combina memória afetiva e experiência prática no futebol japonês: ele jogou pelo Kashima Antlers e comandou a seleção, conquistando a Copa da Ásia em 2004. Para o Brasil seguir adiante, a seleção precisa traduzir superioridade técnica em organização tática, sem subestimar um rival que vive fase de evolução e tem armas capazes de explorar qualquer brecha.