O duelo entre Japão e Brasil, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, ganhou tom simbólico depois das palavras do técnico japonês Hajime Moriyasu. Classificada em segundo lugar do Grupo F após o empate com a Suécia, a seleção japonesa terá diante de si não só um adversário histórico, mas também uma figura que liga os dois países: Zico. Moriyasu disse esperar encontrar o ídolo antes da partida e lembrou o papel decisivo do ex-camisa 10 no desenvolvimento do futebol local.

Zico chegou ao Japão na transição para a profissionalização e atuou pelo clube que viria a ser o Kashima Antlers entre 1991 e 1994, mais tarde retornando ao país como treinador e consultor. Seu trabalho foi apontado como catalisador da J-League e referência para gerações que acompanharam a transformação do esporte japonês. Como técnico da seleção, entre 2002 e 2006, conquistou a Copa da Ásia em 2004 e levou o Japão à Copa de 2006, edição em que acabou eliminado na fase de grupos após derrota para o Brasil por 4 a 1.

Moriyasu, que começou a carreira como rival de Zico na J-League e conquistou títulos nacionais com o Sanfrecce Hiroshima como treinador, assumiu a seleção em 2018 e reconheceu a influência do brasileiro. Ele também fez elogios a Carlo Ancelotti, destacando o currículo do comandante brasileiro e a dificuldade de dirigir uma seleção com a pressão e as expectativas do Brasil. As menções a Zico e a Ancelotti sublinham a dimensão emocional e técnica do confronto.

Além do simbolismo, a partida em Houston reage a uma história recente de tropeços para o Japão em fases eliminatórias: a equipe nunca venceu um jogo eliminatório em Copas do Mundo. O encontro com a Seleção brasileira será, portanto, um teste prático ao progresso técnico do país e um confronto de narrativas — a tradição e a força do Brasil contra a evolução e a busca por um marco histórico do Japão, com Zico presente como elo entre esses caminhos.