Zinédine Zidane será o novo técnico da seleção francesa e estreia no comando em setembro. Campeão mundial como jogador em 1998 e figura central do futebol francês, Zidane chega com prestígio e expectativa — atributos que já levaram outras estrelas dos gramados a assumir seleções, com resultados diversos.
A própria França oferece exemplos opostos. Didier Deschamps, capitão em 1998, consolidou-se como treinador e conduziu o país a um título em 2018 e a um vice em 2022; já Michel Platini, ídolo da Eurocopa de 1984, teve passagem frustrante entre 1988 e 1992, sem classificações e com eliminações precoces. O contraste ilustra que reputação de jogador e autoridade tática nem sempre andam juntas.
No panorama internacional, há casos de êxito e redundância: Zagallo conseguiu vitórias históricas no Brasil como jogador e técnico; Franz Beckenbauer repetiu a glória ao levar a Alemanha ao título em 1990. Por outro lado, iniciativas de curto prazo ou escolhas arriscadas — como o episódio recente envolvendo Andrea Pirlo na Itália, que gerou polêmica e reconfigurou a federação — mostram que a aposta no nome pode causar instabilidade institucional. A volta de Roberto Mancini foi a solução pragmática adotada para restaurar a confiança.
A leitura política para as federações é clara: contratar um ídolo carrega benefício simbólico e risco de cobrança imediata. Para Zidane, a situação é dupla — alta expectativa da torcida e exigência por resultados rápidos. A trajetória de outros ídolos que migraram para a casamata indica que o sucesso dependerá de gestão, adaptação à função e capacidade de traduzir prestígio em performance coletiva, não apenas de memória afetiva.