O anúncio feito na terça-feira (28) confirma Zinedine Zidane como novo treinador da seleção da França, substituindo Didier Deschamps num momento de cobrança crescente. A escolha aposta no brilho do ídolo de 1998 e na experiência vitoriosa do técnico que comandou o Real Madrid em três edições seguidas da Liga dos Campeões.

No Real, Zidane se notabilizou por uma autoridade serena e por montar equipes capazes de transitar rápido entre defesa e ataque, oferecendo aos craques margem para improvisar. Sua gestão de egos e habilidade para manter compostura em jogos decisivos serão testadas agora num ambiente que difere muito do cotidiano de clube.

O contexto favorece a aposta: a França dispõe de atacantes em fase de plenitude — Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Désiré Doué estão entre os talentos que podem ganhar identidade ofensiva mais aguda. A missão de Zidane será transformar potencial individual em soluções coletivas nas horas-chave.

A saída de Deschamps encerra um ciclo que teve vitórias importantes, como a reconstrução pós-2010 e o título de 2018, mas também frustrações recentes — a derrota para Argentina na final de 2022 e eliminações em fases decisivas, incluindo a semifinal frente à Espanha neste mês. Philippe Diallo, presidente da federação, recordou encontro com Zidane em fevereiro de 2025, destacando a confiança do técnico em lutar por títulos.

O desafio é claro: trazer mais liberdade e criatividade sem abrir mão da estrutura que já trouxe resultados. A transição exigirá equilíbrio tático, gestão de grande elenco e rapidez na implementação de ideias antes dos compromissos mais exigentes. O sucesso colocará a França de novo como favorita; o fracasso ampliará a pressão sobre uma decisão que já nasce com altas expectativas.