O senador Flávio Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) será seu nome a vice na disputa presidencial de 2026. A indicação surpreendeu pelo baixo perfil nacional de Gaspar e porque circulavam apostas de que a vaga poderia ser ocupada por uma mulher, numa tentativa de reduzir a rejeição feminina ao senador.

A definição do vice revela, na prática, as limitações da campanha de Flávio para atrair aliados relevantes. PP e Republicanos, dois partidos que apoiaram Jair Bolsonaro em 2022, optaram por neutralidade — por divergências internas e prioridade às eleições estaduais e legislativas — e inviabilizaram nomes mais competitivos para compor a chapa.

Gaspar reúne currículo jurídico e administrativo: já foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança de Alagoas. Foi também relator da CPMI do INSS, cuja versão final do relatório pedia mais de 200 indiciamentos, inclusive a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva; o documento, no entanto, acabou rejeitado pela comissão.

No anúncio, Flávio enalteceu a trajetória de Gaspar na segurança pública e na promotoria, destacando sua coragem e atuação na CPMI. A escolha expõe, porém, um desafio estratégico: a incapacidade de montar uma coligação mais ampla que reduzisse o isolamento político da candidatura e ampliasse penetração em eleitorados-chave.

Pesquisas mencionadas pela cobertura indicam que Flávio é considerado competitivo contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, mas a dificuldade de costurar apoios domésticos pode limitar alcance e infraestrutura eleitoral da chapa. A opção por um vice de menor proeminência nacional tende a manter o foco da campanha restrito ao núcleo do PL.