A Nasa vem liberando um fluxo constante de imagens feitas a bordo da missão Artemis 2, que leva quatro astronautas mais longe da Terra do que qualquer humano desde 1972. As fotos viralizaram nas redes, com milhões de reações, e transformaram a viagem de 10 dias em espetáculo público transmitido ao vivo.

A própria agência destaca a capacidade de engajamento: updates frequentes em vídeo, a necessidade de limpar a janela da Orion e a identificação dos aparelhos usados — entre eles Nikon D5, GoPros e smartphones. A espaçonave leva 32 câmeras, 15 instaladas e 17 operadas manualmente, e o álbum no Flickr informa o dispositivo de cada foto.

Oi, Mundo.

Do ponto de vista científico, nem todas as imagens trazem novidade. A foto apelidada de 'Oi, Mundo' foi feita quando a nave estava a cerca de 228,5 mil km da Terra e 212.400 km da Lua — enquadramentos esteticamente poderosos, mas que já são feitos por satélites como o DSCOVR/EPIC, posicionado a 1,6 milhão de km desde 2015.

Há, porém, exceções. A imagem divulgada da bacia Orientale no lado oculto da Lua foi apresentada pela Nasa como a primeira visão completa dessa formação pelos olhos humanos; a tripulação passará por cima dela a cerca de 6.500 km da superfície. Nesses casos, a observação humana complementa dados robóticos e amplia sensações e percepções que sensores automatizados não reproduzem.

O saldo é misto: as imagens funcionam como ferramenta de comunicação e de construção de apoio público — objetivo declarado pela agência — e ao mesmo tempo oferecem ganhos pontuais para a ciência quando dependem da presença humana. Em termos práticos, o valor científico deve ser avaliado caso a caso, enquanto o impacto político e midiático já é evidente.

É a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos.