Menos de 24 horas após o retorno à Terra, os quatro tripulantes da missão Artemis II foram recebidos de pé e aplaudidos no Centro Espacial Johnson, em Houston. Vestidos com macacões azuis, o comandante Reid Wiseman, a especialista Christina Koch, o canadense Jeremy Hansen e o piloto Victor Glover ainda assimilavam os nove dias, uma hora e 32 minutos da jornada que incluiu um sobrevoo lunar — o primeiro registrado desde 1972. A missão também estabeleceu um novo marco de distância percorrida, 406.773 km.
A cápsula Orion pousou no Oceano Pacífico, perto de San Diego, depois de enfrentar temperaturas próximas a 3.800 °C e velocidade de reentrada de 39.693 km/h. Em discurso emotivo à plateia de familiares, políticos e executivos da indústria espacial, Wiseman destacou o vínculo profundo entre os colegas de missão; Glover deu graças pela experiência; Koch, visivelmente emocionada, descreveu a visão da Terra como um frágil espaço de vida rodeado pela escuridão e conclamou a um senso de responsabilidade compartilhada pelo planeta.
Hansen ressaltou o valor da experiência humana a bordo e a alegria do trabalho em equipe. Fora da tripulação, o ex-astronauta Clayton C. Anderson avaliou a missão como uma comprovação dos sistemas testados na Orion e um passo prático rumo às próximas etapas programadas — Artemis 3 e 4 — e à construção de infraestrutura lunar. Para ele, a Lua funciona como um passo intermediário para missões mais longas, incluindo o planejamento de voos tripulados a Marte.
Do ponto de vista estratégico e tecnológico, Artemis II funciona como prova de conceito: validou equipamentos, procedimentos de reentrada e operação da cápsula em condições reais. O sucesso reforça a posição da indústria americana e dá tração política ao programa lunar, mas também recrudesce a necessidade de investimentos contínuos e coordenação internacional para transformar testes em presença sustentada na superfície lunar e, no futuro, em missões a Marte.