Dezessete pessoas, entre elas três crianças, morreram no sábado em um ataque russo a Zaporizhzhia, cidade do sul da Ucrânia situada a menos de 30 km da linha de frente. Um dos alvos foi um prédio de apartamentos parcialmente reduzido a escombros; 18 pessoas ficaram feridas. Imagens e relatos locais descrevem cenas de resgate e familiares diante de corpos, incluindo uma menina de seis anos.

O ataque ocorreu um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um acordo para suspender sanções às exportações russas de diesel — medida que pegou Kiev de surpresa e foi criticada publicamente pelo presidente Volodymyr Zelenskiy. Em sua declaração, Zelenskiy vinculou a redução de pressão internacional a novos ataques sobre áreas civis, em uma das suas críticas mais duras à Casa Branca desde o início do conflito.

A ofensiva em Zaporizhzhia integra uma onda mais ampla de ataques que deixou quase 80 civis mortos ao longo de dois dias, segundo autoridades ucranianas citadas pela imprensa, e provocou também cortes de energia em partes de Kiev, com trens do metrô paralisados. Autoridades regionais relataram ataques simultâneos a múltiplos pontos nas primeiras horas do dia; fontes russas mencionaram mortes em Luhansk após ataques ucranianos, informação que não foi verificada de forma independente.

Do ponto de vista político, a suspensão das sanções ao diesel pelos EUA altera o equilíbrio de incentivos: analistas e Kiev apontam que sinais de afrouxamento podem reduzir a pressão sobre Moscou e complicar a estratégia ucraniana de forçar negociações mais sérias. A coincidência temporal entre a decisão americana e o novo bombardeio expõe uma tensão entre objetivos de curto prazo — como conter preços de combustíveis — e a necessidade de manter um quadro de pressão que favoreça uma resolução negociada do conflito.