O ato convocado pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, neste 7 de Setembro, teve pico estimado em 28,5 mil participantes pelo Monitor do Debate Político (USP/Cebrap) em parceria com a More in Common. A presença de manifestantes com camisas verde e amarela, santinhos de candidatos de direita e bandeiras de Estados Unidos e Israel manteve a iconografia habitual do bolsonarismo, enquanto um inflável de Donald Trump chamou a atenção entre o público.
O tema central do protesto foi a cobrança contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, amplificada pela divulgação, por ordem do ministro André Mendonça, de mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. As conversas, ligadas à investigação da Operação Compliance Zero e ao contrato entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, elevaram o tom dos discursos pró-Mendonça e de ataque ao relator dos processos contra o núcleo bolsonarista. A própria reação institucional no STF — com fases de inclusão e retirada de procedimentos — alimentou a narrativa do movimento.
Apesar do impulso gerado pela crise no tribunal, o volume de público ficou aquém dos atos recentes: o mesmo monitor apontou 42,2 mil na Paulista em 2025 e 45,4 mil em 2024. A redução sugere limites à capacidade de expansão da mobilização para além da base. Figuras políticas como o prefeito Ricardo Nunes, o governador Tarcísio de Freitas e o pastor Silas Malafaia estiveram no ato, o que reforça alinhamento entre lideranças regionalmente relevantes, mas não reverteu a queda de frequência.
Do ponto de vista político, o evento reforça duas leituras: pressiona Moraes e dá material simbólico para a defesa de aliados do bolsonarismo, mas também acende alerta sobre o alcance real dessa agenda na rua. O método de medição — fotos aéreas com drone e contagem por software de inteligência artificial — torna a comparação numérica robusta e difícil de contestar. Para a campanha e para os atores envolvidos, o desafio será traduzir retórica e sinais de crise institucional em ganhos eleitorais efetivos, tarefa que os números de hoje deixam em aberto.