O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) anunciaram o início, na quinta-feira (24), de um estudo de viabilidade para interligar o Pix ao Target Instant Payment Settlement (Tips), sistema de liquidação instantânea do Eurosistema. Oficialmente, serão avaliados os aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio que condicionam a conexão entre as infraestruturas.

A interligação, segundo o BC brasileiro, responde a fluxos econômicos significativos entre Brasil e área do euro e tem potencial para reduzir custos, acelerar transferências e ampliar acesso a serviços de pagamento em ambas as jurisdições. Na prática, a expectativa é que remessas e compras internacionais possam ser liquidadas com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos — desde que se encontrem soluções para conversão cambial e gestão de liquidez entre bancos centrais e participantes.

O movimento encaixa-se na agenda evolutiva do Pix e nas iniciativas multilaterais que o Eurosistema já executa para conectar o Tips a outras redes, como o Nexus e sistemas da Índia e da Suíça. Mas o avanço depende de respostas concretas para questões delicadas: interoperabilidade técnica entre rails distintos, regras de compliance e combate a lavagem, mecanismos de resolução de disputas, impacto sobre corretores e bancos correspondentes e custos operacionais para instituições locais.

Do ponto de vista político e econômico, a interligação pode representar ganho para consumidores e empresas e pressionar por maior eficiência do setor financeiro. Ao mesmo tempo, coloca o regulador brasileiro diante da necessidade de reforçar coordenação internacional, adaptar normas cambiais e criar salvaguardas que preservem a soberania monetária e a integridade do sistema. O estudo é um sinal de ambição, mas não uma garantia de execução: qualquer avanço exigirá negociações técnicas e legais aprofundadas entre as jurisdições.