Pesquisas de boca de urna divulgadas após a votação deste domingo apontam para um revés severo da União Democrata Cristã (CDU) de Friedrich Merz em duas eleições estaduais alemãs. No estado oriental de Mecklenburg‑Pomerânia, a projeção coloca o partido em apenas 5,5% — seu pior desempenho na região desde a Segunda Guerra Mundial — e em Berlim a sigla aparece em segundo lugar, com cerca de 20% dos votos.

O resultado provisório consolida uma sequência de ganhos do Alternativa para a Alemanha (AfD), descrito como anti‑imigração e favorável à Rússia. As mesmas pesquisas mostram avanços do AfD em ambos os pleitos, numa repetição do desempenho forte registrado há duas semanas em Saxônia‑Anhalt, quando o partido ficou perto da maioria naquele pequeno estado oriental. Para analistas, os números acendem alerta sobre a capacidade da extrema‑direita de ampliar seu espaço no cenário regional.

Politicamente, o efeito é direto sobre Merz: a derrota amplia desgaste em sua liderança e complica a agenda de revitalização econômica que promete para recuperar a influência da CDU. Além do custo reputacional, há consequências práticas para coalizões estaduais e para a governabilidade local — e um sinal claro de que o eleitorado do leste continua propício a desafios à ordem partidária tradicional.

Para o centro‑direita alemão e para a coalizão nacional, as bocas de urna representam uma pressão adicional para ajustar estratégia: conter o avanço do AfD sem ceder ao isolamento político, reforçar mensagens sobre segurança e economia e demonstrar resultados concretos. Os dados são, ao mesmo tempo, um retrato do momento e um aviso de que a narrativa de imunidade alemã ao nacionalismo não pertence mais ao presente incontestável.