O governo brasileiro enviou ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) um documento de resposta que rejeita a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. No texto de 29 páginas, o Itamaraty sustenta que a medida não só falharia em reverter políticas domésticas como também imporia custos reais à economia estadunidense, segundo avaliação feita pelo ministério.
A resposta sublinha que 43 empresas e associações americanas pediram exclusões de produtos, alegando ausência de substitutos nacionais e risco de repasse de custos a consumidores e indústrias dos EUA. Brasília também rebateu a acusação de que o Pix discrimina empresas norte-americanas, lembrando que empresas como Google Pay e Visa operam no ecossistema brasileiro, e comparou o caso ao desenvolvimento pelo Federal Reserve de uma infraestrutura pública de pagamentos, o FedNow.
O Itamaraty criticou ainda o uso pontual de decisões do Supremo Tribunal Federal no relatório do USTR, afirmando que o órgão norte-americano não examinou os fundamentos jurídicos brasileiros e equivocou-se ao qualificar atos do Judiciário como secretos. Em nota citada pelo ministério, o processo americano corre o risco de minar o diálogo bilateral e reduzir espaço para soluções práticas envolvendo comércio e investimento.
O relatório do USTR, publicado em junho, decorre de investigação aberta há cerca de um ano sob a Seção 301 americana, iniciada no governo Trump. Ao apontar politização do tema por parte de autoridades dos EUA com vistas às eleições de outubro no Brasil, Brasília transforma a disputa comercial em um elemento de desgaste diplomático que pode complicar negociações futuras e pressionar empresas e governos de ambos os lados.