Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Munique e publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry concluiu que a cerveja pode fornecer quantidades mensuráveis da vitamina B6, nutriente importante para funções cerebrais, sanguíneas e do sistema imunológico. A análise incluiu 65 rótulos vendidos em supermercados locais e mostrou variação no teor conforme estilo e teor alcoólico.

Segundo os autores, dependendo do tipo de cerveja, um copo de 500 ml pode suprir algo em torno de 15% da necessidade diária de B6; em valores absolutos, a pesquisa estimou que 1 litro de cerveja contém entre 0,3 mg e 1 mg da vitamina. Ingredientes como cevada, trigo e levedura e o próprio processo de fermentação explicam a presença do nutriente, que não é totalmente eliminado durante a fabricação.

Os próprios pesquisadores reconhecem limites práticos: se o consumo respeitar os limites recomendados de ingestão de álcool, a quantidade encontrada não atinge o patamar para que a bebida seja rotulada oficialmente como fonte de vitaminas. Michael Rychlik, um dos autores, diz que os dados são úteis sobretudo para consumidores que desejam otimizar ingestão de micronutrientes, mas não endossam mudanças nos hábitos de consumo.

Autoridades e nutricionistas ouvidos no material-base lembram que a vitamina B6 está presente em muitos alimentos — carnes, peixes, aveia, batata e leguminosas — e que deficiência é incomum fora de grupos específicos, como pessoas com alcoolismo ou doença renal crônica. A mensagem prática é clara: tratar a cerveja como complemento eventual, nunca como substituto de uma dieta equilibrada, dado também os riscos associados ao consumo regular de álcool.