EUA e Irã concordaram com um cessar‑fogo condicional de 14 dias que permitirá a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, rota por onde circulava cerca de 20% do petróleo mundial antes do fechamento ordenado pelo Irã. O acordo, anunciado nesta terça-feira, foi mediado pelo Paquistão e passou a vigorar imediatamente, segundo o premiê paquistanês.
A trégua chega mais de um mês após ataques coordenados de Washington e Tel Aviv contra alvos iranianos e poucas horas depois de declarações do presidente dos EUA que amenizaram — ainda que de forma polêmica — a escalada. Autoridades internacionais, incluindo a ONU e o papa, haviam condenado ameaças de grande violência, o que elevou o custo diplomático dos episódios anteriores.
"O cessar‑fogo entrou em vigor imediatamente", afirmou o premiê do Paquistão.
O Irã condicionou a janela de 14 dias a um plano de 10 pontos que pede, entre outros itens, cessação das hostilidades em vários frontes regionais, retirada de sanções, desbloqueio de ativos congelados e compensações por danos. O caráter amplo das demandas transforma a trégua em um compasso tático: Boas‑vindas no curto prazo, mas com implicações políticas e econômicas de longo prazo se não houver negociação substancial.
Israel declarou apoio à suspensão temporária dos ataques, desde que o estreito seja reaberto e haja paralisação contra alvos israelenses e americanos — mas deixou claro que as operações no Líbano, contra o Hezbollah, não estão incluídas. Relatos de sirenes e explosões em Jerusalém após o anúncio mostram que o cessar‑fogo é parcial e que múltiplas frentes continuam a ameaçar a estabilidade regional.
Acordos de curta duração podem reduzir riscos imediatos ao comércio e aliviar pressões sobre rotas energéticas, mas também acendem alerta sobre a sustentabilidade política do resultado. A janela de duas semanas é curta para responder às exigências iranianas e testar a disposição dos EUA e de aliados para ajustar sanções; se a negociação fracassar, a retomada das hostilidades seria rápida e custosa.
"Consolidaremos os ganhos do campo militar nas negociações políticas", disse o Conselho Supremo de Segurança do Irã.