Líbano e Israel concordaram em prorrogar por três semanas o cessar‑fogo que vinha reduzindo a intensidade dos combates, segundo anunciou o presidente dos EUA, Donald Trump. A extensão foi anunciada após uma rodada de negociações no Salão Oval, que reuniu os embaixadores de ambos os países e alta cúpula diplomática americana. As conversas ocorrem em meio a episódios recentes de violência: ataques israelenses mataram ao menos cinco pessoas, entre elas uma jornalista.

O Hezbollah, grupo alinhado ao Irã que é parte central do confronto entre Israel e forças no sul do Líbano, não participou das negociações e afirma ter “o direito de resistir”. A ausência do principal ator militar na região fragiliza a sustentabilidade do acordo: apesar da queda geral nos confrontos, combates e incursões isoladas continuam no sul, onde tropas israelenses ocuparam área que definem como zona tampão.

A mediação americana, cujo objetivo declarado é ajudar o Líbano a se proteger do Hezbollah, coloca Washington no centro do esforço de contenção. Trump disse esperar uma reunião entre Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun durante as três semanas de suspensão, e afirmou haver “grande chance” de um acordo de paz ainda este ano. Trata‑se, porém, de uma janela curta para negociações que exigiriam inclusão das facções armadas e garantias robustas.

Do ponto de vista político e institucional, o cenário acende alerta: o governo libanês segue sob pressão interna e externa para controlar milícias e proteger civis; para Israel, a trégua oferece alívio imediato, mas não resolve a ameaça estrutural apontada por Tel Aviv. Se a suspensão fracassar, o retorno das hostilidades tende a repercutir rapidamente na arena regional, ampliando desgaste para os líderes envolvidos e elevando o custo humanitário para a população do sul do Líbano.