Pequim divulgou nesta terça-feira uma nota oficial em defesa da soberania, independência e autonomia do Brasil, durante o Diálogo Estratégico Abrangente China–Brasil, em Pequim. O Conselho de Estado chinês afirmou estar disposto a ampliar a cooperação com o Brasil e com outros países da América Latina, em um gesto que ocorre em meio às recentes ameaças dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% a produtos brasileiros considerados não estratégicos.
O chanceler chinês, Wang Yi, reiterou a imagem de que a China se posiciona como parceira confiável da região e ofereceu avanços em intercâmbios culturais, educacionais, turísticos, esportivos, entre governos subnacionais, juventude e meios de comunicação. Em paralelo, defendeu maior coordenação em fóruns multilaterais — como ONU e Brics — e iniciativas destinadas a um sistema de governança global mais equitativo.
Do lado brasileiro, o ministro Mauro Vieira afirmou em Pequim que Brasil e China compartilham o interesse em ampliar a cooperação prática e a coordenação internacional, e confirmou a manutenção do princípio de Uma Só China. Politicamente, o apoio público de Pequim dá ao governo brasileiro um argumento diplomático diante da pressão americana, mas também coloca sobre a mesa o desafio de equilibrar parcerias estratégicas sem aumentar vulnerabilidades comerciais.
Para Brasília, a declaração chinesa funciona como alavanca e aviso: pode ampliar alternativas no comércio e na agenda internacional, mas eleva a necessidade de uma estratégia clara para diversificar mercados, preservar autonomia decisória e mitigar riscos econômicos e políticos decorrentes da polarização entre as grandes potências.