Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o vice-presidente chinês Han Zheng posicionou Pequim como defensor da soberania dos países do Oriente Médio, incluindo os estados do Golfo, e apelou para que medidas coercitivas contra Cuba sejam suspensas imediatamente. Sem citar nominalmente os Estados Unidos, Han pediu que 'os principais países' liderem pela defesa do Estado de Direito e pelo cumprimento das regras internacionais, enquadramento usado para criticar pressões e bloqueios que atingem populações civis.
O pronunciamento contrasta com a cordialidade registrada dias antes na Casa Branca, quando o presidente Donald Trump recebeu Xi Jinping com honras e eventos de Estado. A retórica chinesa na ONU evidencia uma dissociação entre a imagem pública de aproximação bilateral e críticas pontuais às práticas americanas, sobretudo em relação à campanha de pressão sobre Cuba que, segundo relatórios citados em demais intervenções, tem dificultado o abastecimento de petróleo à ilha.
Han também invocou a crise humanitária em Cuba — agravada por apagões e escassez de combustíveis — ao pedir o fim do bloqueio e das ameaças. Horas depois, o ministro russo Sergei Lavrov reafirmou apelos semelhantes, pedindo que Washington suspenda restrições ao comércio com Havana e retire a ilha de listas sobre apoio ao terrorismo, o que mostra coordenação de discurso entre Pequim e Moscou em fóruns multilaterais.
Politicamente, o gesto chinês serve a dois propósitos: afirmar liderança simbólica entre países em desenvolvimento e pressionar os EUA em temas sensíveis à sua imagem internacional. A crítica pública em Nova York complica a narrativa de cooperação bilateral exibida em Washington e acende dúvidas sobre até que ponto o alinhamento entre grandes potências se traduz em convergência de interesses, especialmente em matéria de segurança regional e de sanções econômicas.