O PL saiu das urnas como a força mais relevante da nova composição do Congresso: a legenda elegeu 121 deputados federais e 19 senadores, um salto que a posiciona no centro das negociações para a agenda legislativa de 2027. A performance do partido — do senador Flávio Bolsonaro, que disputará a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno — recalibra o cálculo político de quem vencerá a eleição e terá de costurar apoio no Parlamento.

Na prática, o PL passa a ocupar 23,6% das cadeiras da Câmara (121 de 513). O PT ficou em segundo lugar, com 70 deputados e seis senadores. Entre as mudanças em relação a 2022, o PL aumentou sua bancada de 98 para 121 deputados (ganho de 23 cadeiras), enquanto o PT subiu de 65 para 70 (+5). União Brasil e PSDB foram os principais perdedores em termos absolutos, cada um recuando seis vagas (União Brasil para 46; PSDB para 11). PSD e PP perderam cinco cadeiras cada (ficando com 43 e 41, respectivamente). Outros movimentos relevantes: Novo dobrou para dez deputados; PSOL, PV e PRD registraram pequenos avanços; PDT, MDB e PSB também recuaram.

O resultado individual reforça a dinâmica do PL: Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o candidato mais votado do país, com 3.119.318 votos, seguido por Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.038.438. Erika Hilton (PSOL-SP) aparece em terceiro lugar, com 1.596.472 votos. A votação massiva de líderes do PL também ajudou aliados em outros Estados, como Lucas Polese (ES) e André Fernandes (CE), ampliando o efeito de arrasto sobre a bancada federal do partido.

O quadro que surge é de maior concentração relativa do PL sem, porém, criar maioria absoluta: nenhum partido chega a controlar a Câmara sozinho. Para o futuro governo — seja de Lula ou de Flávio Bolsonaro — a lição é clara: aprovar projetos e tocar reformas exigirá negociação com o PL e com uma base fragmentada no centro-direita. Os números acendem um alerta para a necessidade de pactos mais amplos e complicam a narrativa de quem esperava um Congresso mais favorável automaticamente. Em resumo, a eleição redesenha forças e aumenta a centralidade do PL na política legislativa nacional.