Marcos Campinha Panissa, condenado no Brasil pelo homicídio de sua ex-companheira em 1989, foi preso na manhã de 15 de abril em San Lorenzo, cidade próxima a Assunção. Identificado por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), ele vivia há mais de 20 anos sob a identidade de José Carlos Vieira, com família e negócios locais.
O crime ocorreu em 6 de agosto de 1989, quando a vítima, Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi atacada no apartamento onde morava. Segundo a acusação, o ataque — que deixou 72 perfurações — aconteceu após o autor não aceitar o fim do relacionamento. O caso gerou comoção em Londrina e, ao longo dos anos 1990, Panissa chegou a ser julgado e condenado, mas conseguiu permanecer em liberdade em razão de recursos e fugas processuais.
Depois de desaparecer antes de um novo júri, o nome de Panissa passou a constar na difusão vermelha da Interpol, alerta internacional emitido pela Polícia Federal. Em 2008, com mudanças que permitiram julgamentos à revelia, ele foi sentenciado a cumprir pena que se estenderia até 2028. Ainda assim, nunca chegou a cumprir a sentença — até a recente detenção no Paraguai.
A captura reabre questões práticas e institucionais: como um condenado na lista vermelha pôde manter vida pública por décadas com documentos falsos? A prisão deverá desencadear procedimentos de cooperação entre Paraguai e Brasil, inclusive pedido de extradição ou transferência, mas o caso já deixa claro um custo político e administrativo sobre eficiência na fiscalização migratória e no combate a identidades forjadas.