Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador cubano José R. Cabañas Rodríguez afirmou que Havana tem monitorado de forma contínua a movimentação militar dos Estados Unidos diante das declarações públicas de Donald Trump sobre “tomar Cuba”. Segundo o diplomata, a hipótese de ação militar permanece entre os riscos históricos que o país considera e para os quais se prepara.

Cabañas ressaltou que a ameaça remonta ao triunfo da Revolução em 1959, reaparecendo em momentos de fragilidade econômica percebida por Washington. O embaixador lembrou episódios do passado — como a invasão frustrada na Baía dos Porcos, em 1961 — e o papel da base de Guantánamo como ponto onde os EUA mantêm forças e recursos desde 1903. Ele também foi representante de Havana em Washington a partir de 2012, quando foi o primeiro embaixador cubano nomeado no governo de Barack Obama.

O recrudescimento do bloqueio econômico e as sanções a fornecedores externos deixaram a ilha sob forte pressão: Cuba ficou meses praticamente sem importação de petróleo, o que gerou apagões diários que chegaram a superar 12 horas na capital e cortes de energia por períodos inteiros no interior. Um petroleiro russo conseguiu entregar uma carga limitada, suficiente apenas para amenizar parte da demanda por algumas semanas. Em paralelo, Havana e Washington retomaram negociações sobre compras de combustível, sem que Cuba admita concessões que ponham em risco sua soberania.

Além do risco físico, o governo cubano chama atenção para o uso da informação como arma: relatos que reforçam o temor de invasão seriam também uma tentativa de desestabilizar e desanimar a população. Politicamente, a combinação entre pressão econômica, ameaça militar e ofensiva de mensagens amplia o custo do confronto para ambas as partes — para Cuba, ao testar a resistência interna; para os EUA, ao intensificar desconfiança regional e complicar opções diplomáticas. O cenário acende alerta sobre a necessidade de contenção e de soluções negociadas, diante do alto custo humano e estratégico de qualquer escalada.