O governo de Havana divulgou nota nesta terça-feira (2) em que rebate acusações dos Estados Unidos de que dirigentes usam empresas estatais para enriquecimento pessoal. A resposta oficial apresenta o Grupo de Administração de Empresas (Gaesa) como uma estrutura pensada para concentrar atividades com capacidade de gerar divisas e recursos necessários ao Estado para manter serviços sociais e investimentos estratégicos.
A nota listou obras e serviços atribuídos ao conglomerado: construção de mais de 10 mil moradias, aportes em educação infantil, a construção da termelétrica de Holguín, obras hidráulicas e transposições de água que, segundo Havana, beneficiaram milhões de cubanos. O governo sustenta que a Gaesa não é uma estrutura opaca ou paralela, mas uma resposta articulada e eficaz ao bloqueio econômico que historicamente tenta sufocar a ilha.
Havana também atribui à crescente pressão americana cortes no acesso a combustíveis e ampliação de sanções que dificultaram negócios com empresas estrangeiras — um exemplo recente foi a saída da canadense Sherritt de uma joint venture para mineração de níquel. O bloqueio, diz a nota e relatos locais, deixou o país até três meses sem receber petróleo, o que agravou apagões, aumentou preços de produtos básicos e reduziu transporte e oferta da cesta subsidiada.
A disputa lança consequências claras: as medidas americanas ampliam desgaste econômico e político em Cuba, ao mesmo tempo em que fortalecem a narrativa do cerco utilizada por Havana para justificar maior centralização econômica. Para investidores internacionais, a retirada de empresas como a Sherritt sinaliza risco crescente. No plano diplomático, a falta de provas públicas em torno das acusações de corrupção torna o debate mais de reputação do que jurídico — e acende alerta sobre o custo real das sanções para a população.