A operadora estatal Unión Eléctrica informou que a rede elétrica de Cuba entrou em colapso no final do domingo (2), deixando a ilha — com cerca de 10 milhões de habitantes — em apagão. A empresa não detalhou de imediato a extensão do problema em suas publicações no X e no Facebook, numa demonstração de falta de transparência operacional em momento de crise.

Os episódios se somam a três apagões nacionais registrados em julho e refletem um sistema sobrecarregado e envelhecido. A pressão sobre a infraestrutura tem se intensificado à medida que Havana enfrenta dificuldades para garantir importações de combustível, insumo essencial para termelétricas e para a manutenção do serviço.

Analistas e autoridades citam como fator decisivo o bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que, segundo o material-base, se agravou após medidas adotadas por Washington em 3 de janeiro contra o governo venezuelano. A Venezuela, historicamente o principal fornecedor de petróleo para Cuba, teve o fluxo comprometido, e até mesmo importações do México foram interrompidas diante da pressão externa.

A crise energética coincide com uma abertura cautelosa do setor por parte do governo cubano: foram autorizados importadores com participação estrangeira pela primeira vez e cerca de 200 empresas locais passaram a poder atuar na distribuição de combustível no atacado. Mesmo assim, o apagão evidencia o custo político e social da escassez e força Havana a acelerar mudanças que, até agora, têm sido tímidas diante da urgência do problema.