A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47% das intenções de voto contra 43% do senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno das eleições de 2026. Tecnicamente, no entanto, os dois permanecem empatados: a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 20 e 22 de maio.
O levantamento tem peso político adicional porque foi o primeiro a sondar eleitores depois da divulgação, em 13 de maio, dos áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do caso, e a mesma proporção avaliou que o senador agiu mal. Essa percepção pública emerge com impacto direto: no primeiro turno, Lula ampliou a vantagem sobre Flávio de 3 para 9 pontos na comparação com o levantamento anterior.
Além do confronto direto com Flávio, o instituto simulou cenários com outros nomes do espectro oposicionista. Lula sobe para 48% contra 39% de Ronaldo Caiado e mantém 48% contra 43% em simulação com Michelle Bolsonaro; Romeu Zema aparece com 39% numa disputa com o presidente, que teve leve oscilação na preferência. Um dado que chama atenção é o nível de rejeição: 46% disseram que não votariam de jeito nenhum em Flávio (ante 43% anteriormente), enquanto 45% rejeitam Lula — indicadores que mantêm a disputa marcada por alta polarização.
Do ponto de vista político, o levantamento funciona como retrato momentâneo e sinaliza complicações para a narrativa do PL. A combinação de exposição mediática do caso Vorcaro, aumento da rejeição e a transferência numerária para Lula em cenários principais amplia pressão sobre a campanha bolsonarista: necessidade de esclarecimentos, risco de desgaste entre eleitores indecisos e custos eleitorais reais. Para o governo, o resultado confirma consolidação da preferência em alguns cenários, mas lembra que índices de rejeição elevados em ambos os polos deixem a eleição longe de um desfecho previsível. Pesquisas são termômetros; cabem aos atores políticos interpretar e reagir — não admitir derrota, mas ajustar estratégia.