Com o encerramento das convenções, o calendário de confrontos presidenciais começa a se consolidar, mas o formato final e a lista de participantes ainda caminham na corda bamba. Está previsto que o primeiro turno ocorra em 4 de outubro e que, até lá, sejam realizados quatro debates – porém apenas duas datas foram confirmadas publicamente: 23 de agosto, em pool organizado por Band, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan; e 14 de setembro, em encontro promovido por um consórcio de 11 veículos que inclui a CNN Brasil.
A definição prática de quem subirá ao palco depende tanto do registro oficial das candidaturas — prazo que se encerra em 15 de agosto — quanto das regras de cada organizador. Há, portanto, possibilidade concreta de divergência entre os critérios adotados pelas emissoras e a lista formal de concorrentes. Cada veículo tem liberdade para estabelecer requisitos de presença, e os próprios postulantes podem optar por não comparecer, o que torna provável a ocorrência de púlpitos vazios ou de debates com seleção parcial do elenco.
O gesto público de candidatos com maior musculatura política altera o jogo: o presidente Lula chegou a dizer que só participaria se o debate tivesse qualidade, enquanto seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, condicionou presença à participação do petista. Ainda assim, fontes ligadas à organização informaram que ambos aceitaram comparecer ao encontro do consórcio em 14 de setembro, quando foi sorteada a ordem dos blocos e definida a sequência das considerações finais. Movimentos assim revelam uma estratégia calculada: afastar-se de confrontos de alto risco quando a vantagem nas pesquisas é confortável, ou forçar encontros que deem cobertura igual aos rivais quando conveniente.
A consequência política é dupla. Para as emissoras, a diversidade de critérios e a possibilidade de ausências impõem um dilema editorial entre abrir espaço amplo e produzir um debate com formatos que preservem audiência e governabilidade jornalística. Para a oposição e candidaturas secundárias, a seletividade pode reduzir exposição e acelerar a polarização em torno dos nomes mais visíveis, complicando a dinâmica de formação de consensos e alianças rumo ao segundo turno. Em um cenário em que 12 pré-candidatos já manifestaram intenção de concorrer, os debates permanecem ferramenta relevante — ainda que, no curto prazo, sujeitos a negociações, regras variáveis e ao cálculo tático das campanhas.