Uma delegação iraniana liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, chegou a Islamabad na tarde desta sexta-feira para negociações com representantes dos Estados Unidos. A equipe inclui altos funcionários civis e militares — entre eles o ministro dos Negócios Estrangeiros, o secretário do Conselho de Defesa e o governador do Banco Central — segundo a mídia estatal iraniana.
A televisão estatal informou que Teerã só aceita iniciar as conversas se Washington, representado pelo vice‑presidente JD Vance, concordar com condições prévias consideradas essenciais por Qalibaf. Em pronunciamento em Islamabad, o líder iraniano afirmou haver “boa vontade” para negociar, mas destacou a falta de confiança em relação aos norte‑americanos e a necessidade de garantias concretas.
Do lado americano, Vance segue para o Paquistão e disse esperar um desfecho positivo, ao mesmo tempo em que advertiu que a delegação não será condescendente com tentativas de enganar nas negociações. O Air Force Two fez escala técnica em Paris; a equipe de imprensa da Casa Branca descreveu o voo como "sem incidentes". A Casa Branca não comentou de imediato as pré‑condições expostas por Teerã.
A exigência iraniana funciona como um termômetro de desconfiança e complica a construção de um cessar‑fogo permanente — justamente a etapa que o primeiro‑ministro paquistanês classificou como a mais difícil. Politicamente, o quadro lança pressão sobre Washington: aceitar pré‑condições pode ser visto como concessão estratégica; rejeitá‑las pode naufragar as negociações e prolongar a instabilidade regional. O resultado das conversas em Islamabad será um indicador relevante do equilíbrio de forças e da capacidade diplomática de ambas as partes.