Onze diretores da Polícia Federal anunciaram nesta terça-feira (8/9) que colocaram os cargos à disposição em gesto público de apoio ao diretor-geral Andrei Rodrigues, afastado preventivamente horas antes por determinação do ministro André Mendonça. A nota foi dirigida ao diretor-geral substituto, William Marcel Murad, que assume a condução da instituição na ausência de Rodrigues, e também manifestou solidariedade ao diretor de Inteligência, Leandro Almada, igualmente afastado.
Os signatários afirmam que a corporação sofre ataques injustificados e apontam que parte da narrativa que motivou as medidas estaria influenciada por interesses político-eleitorais. O documento — assinado por 11 diretores — reúne nomes e cargos da cúpula da PF, entre eles Dennis Cali (DICOR), Fabrício Schommer Kerber (DPA), Otavio Margonari Russo (DCIBER), Felipe Tavares Seixas (DCI), Helena de Rezende (DGP) e outros responsáveis por áreas técnicas e administrativas.
A decisão de Mendonça também determinou a abertura imediata de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF. No despacho, o ministro acusa Rodrigues de ter encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes ao menos seis relatórios de inteligência, produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026. Segundo a peça, Moraes utilizou esses documentos para fundamentar um pedido de investigação contra Mendonça por possível abuso de autoridade — movimento que se deu poucos dias após um pedido de apuração envolvendo o próprio Moraes.
O afastamento foi levado a julgamento em sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF, que já contava com maioria para referendar a medida antes de um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes suspender a conclusão. Politicamente, o gesto dos diretores amplia a crise institucional: além de reforçar a polarização sobre o papel da PF, pressiona a corte e o comando da polícia e eleva o custo político de eventuais decisões futuras, mantendo o tema em evidência no debate público.