Dolly Parton, uma das vozes mais reconhecíveis da música country, morreu em 25 de agosto aos 80 anos, informou a família em comunicado. A nota não trouxe mais detalhes sobre a causa ou as circunstâncias do falecimento. A notícia encerra uma carreira pública que durou sete décadas e teve alcance global.

Nascida em 1946 nas montanhas Great Smoky, no Tennessee, Parton foi a quarta de 12 filhos numa família de agricultores que viveu em uma cabana de um cômodo. A música entrou cedo na sua vida: cantou na igreja desde a infância, ganhou experiência em rádio local e, aos 13 anos, se apresentou no Grand Ole Opry acompanhada pelo tio Bill Owens, onde foi apresentada por Johnny Cash e teve pedidos de bis.

Mudou-se para Nashville depois do ensino médio e, no primeiro dia na cidade, conheceu Carl Dean, com quem se casou dois anos depois — união que permaneceu até a morte dele, em 2025. Na capital do country, a parceria com Porter Wagoner impulsionou sua carreira, mas também trouxe tensão quando Parton ganhou independência artística. Considerada antes de tudo uma compositora, escreveu mais de 3.000 canções, vendeu mais de 100 milhões de discos e conquistou dez Grammys.

Além das credenciais, sua imagem pública — maquiagem forte, figurinos chamativos e humor sulista — funcionava como estratégia de destaque e autoproteção num mercado competitivo. Em 1969, escreveu 'Coat of Many Colors' no verso de um recibo de lavanderia durante uma viagem de ônibus; a canção virou peça central do repertório e exemplo de como sua trajetória individual alimentou a obra.

O legado de Parton passa pelas músicas que narraram histórias pessoais com simplicidade e pela capacidade de gerir uma carreira que cruzou gêneros e gerações. A confirmação da morte pela família encerra um ciclo, enquanto fãs e a indústria ainda começam a medir o alcance cultural e comercial da sua ausência.