A seis meses do primeiro turno marcado para 4 de outubro, a disputa presidencial de 2026 começa a se cristalizar: há ao menos 11 pré-candidatos oficialmente lançados, segundo levantamento da imprensa. O quadro inicial confirma a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas aponta também para um campo fragmentado que pode complicar a construção de maiorias.
Nos últimos dias entraram na lista nomes de peso variado: o escritor e psiquiatra Augusto Cury confirmou sua pré-candidatura pelo Avante em 5 de abril; um dia antes o ex-deputado Cabo Daciolo anunciou nova tentativa, agora pelo Mobiliza. Outros postulantes já conhecidos do cenário nacional — como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC) — mantém a composição inicial do movimento desde a pré-campanha.
Em 2022, Lula chegou a dizer que seria um presidente de um mandato só, mas depois passou a sinalizar mudança de intenção.
À frente do tabuleiro, Lula decidiu disputar o quarto mandato e terá Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice. A confirmação da chapa ocorreu após a saída de 14 ministros que deixaram cargos para concorrer. A legislação eleitoral exige desincompatibilização de ocupantes de cargos do Executivo até seis meses antes da eleição — prazo que pesou nas movimentações e que teve impacto na organização das campanhas.
Nas pesquisas mais recentes, Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno: levantamento da Atlas/Bloomberg de 25/03 indica intenções entre 45,5% e 45,9%. O mesmo estudo mostra, porém, rejeição alta ao presidente — cerca de 52% dizem que não votariam nele — e coloca Lula e Flávio em empate técnico em cenários de segundo turno, o que reforça incertezas sobre o resultado final.
O quadro também guarda risco estratégico para todos os lados. A existência de muitos pré-candidatos aumenta a probabilidade de dispersão de votos e abre espaço para surpresas, alianças táticas e recuos até o prazo final de registro no Tribunal Superior Eleitoral, em 15 de agosto. Para o Planalto, manter liderança nas pesquisas não elimina o desafio de reduzir rejeição; para a oposição, transformar empate técnico em vantagem líquida exigirá coordenação e capacidade de ampliar base eleitoral.
Em 2025, o presidente afirmou que o país poderia ter pela primeira vez um chefe eleito quatro vezes, anunciando sua decisão de concorrer novamente.