Os primeiros resultados da eleição presidencial peruana confirmam a expectativa de ida ao segundo turno. Com cerca de 40% das cédulas computadas, a candidata Keiko Fujimori aparece em primeiro lugar com 17% das intenções, seguida por Rafael López Aliaga com 16% e pelo centrista Jorge Nieto com cerca de 13%. A pulverização entre 35 concorrentes torna matematicamente improvável a vitória no primeiro turno e transforma o domingo eleitoral num retrato de fragmentação política.

A votação foi marcada por problemas operacionais. A autoridade eleitoral (Onpe) reconheceu falhas na distribuição do material e apontou que mais de 63 mil eleitores na capital ficaram sem registrar o voto no horário previsto; essas pessoas poderão retornar às seções na segunda-feira. Relatos de atrasos na abertura de mesas e ausência de mesários reduziram a fluidez do processo e adicionaram um componente de desconfiança num momento em que a confiança nas instituições já está abalada.

Do ponto de vista programático, o que distingue pouco os dois favoritos é menos o diagnóstico do que as propostas de resposta: ambos prometem medidas duras contra a criminalidade e a corrupção, incluindo a construção de penitenciárias de alta segurança e propostas para retirar o país de instâncias internacionais de direitos humanos. O alinhamento em pautas de segurança desloca a disputa para a mobilização dos eleitores dos candidatos derrotados, que somam a maioria dos votos e decidirão o segundo turno.

A perspectiva política imediata é de dificuldade de governabilidade. O próximo presidente herdará um Congresso fragmentado e uma sucessão constante de chefes de Estado — seria o nono em uma década —, condições que complicam a implementação de agendas e aumentam o custo político de qualquer medida mais drástica. Os números atuais são apenas um retrato do momento: confirmada a tendência, a campanha para o segundo turno será determinante para definir alianças e testar se propostas autoritárias convertem-se em votos suficientes para governar.