Eleitores nos Estados Unidos deram um recado claro contra a expansão de grandes data centers ligados às big techs, e a rejeição em massa derrubou papéis de empresas de tecnologia que atuam com inteligência artificial.
Em 41 plebiscitos locais realizados em dez estados na terça-feira (3), 40 votaram contra projetos das companhias. Pesquisa de boca de urna da NBC News apontou que 57% dos eleitores acreditam que a IA fará mais mal que bem e que 76% se opõem à construção de data centers em suas comunidades.
“Nos EUA, os estados que tinham menos regulação para data centers recebiam muito mais investimentos. Isso gerou uma série de impactos ambientais, com encarecimento da energia e da água. Isso foi mobilizando cada vez mais uma reação popular”
A reação política se refletiu no mercado: ações de tecnologia e títulos das gigantes recuaram e a Nasdaq Composite registrou queda de 5,5% na sexta-feira (6). O cenário eleitoral — com mudança de maiorias no Congresso que favoreceria maior regulação — levou investidores a recalibrar preços e riscos.
O economista e professor da UnB André Roncaglia disse à Agência Brasil que estados com menos regulação atraíram muitos investimentos e que isso elevou preços de energia e água, mobilizando reação popular. A maioria dos plebiscitos saiu de petições locais; de 47 votações já realizadas, apenas uma foi favorável. Paulo Abrão, diretor da Brazil Office Alliance, afirmou que 56% dos eleitores consideraram IA e datacenters decisivos ou importantes no voto. Em 2026, estão previstos 50 plebiscitos sobre o tema, com três agendados para dezembro.