Pelo menos 11 pessoas morreram e outras 19 estavam desaparecidas após um incêndio florestal que atingiu, nesta sexta-feira, os arredores de Los Gallardos, na província de Almería, sul da Espanha. Bombeiros e equipes de emergência lutavam para controlar as chamas em uma das ocorrências mais letais do país nos últimos anos, em região conhecida por receber turistas estrangeiros.
Autoridades regionais disseram que a maioria das vítimas parecia ser estrangeira e que muitas delas não seguiram a recomendação de permanecer em seus locais seguros; tentaram, em vez disso, escapar de carro enquanto o fogo avançava rapidamente por área arborizada. Quatro pessoas foram encontradas mortas dentro de um veículo com volante do lado direito, indicando que provavelmente eram britânicas; outras vítimas teriam abandonado os carros e tentado fugir a pé por rotas fora do plano de retirada.
“As consequências foram terríveis. Tudo parece indicar que, no caso dos mortos, a maioria — ou quase todos eles — é cidadãos estrangeiros.”
O chefe de emergências da Andaluzia, Antonio Sanz, resumiu o cenário: "As consequências foram terríveis. Tudo parece indicar que, no caso dos mortos, a maioria — ou quase todos eles — é cidadãos estrangeiros." O episódio tem semelhanças com o incêndio em Portugal em 2017, quando dezenas morreram principalmente ao tentarem fugir de veículos durante uma onda de calor.
O episódio expõe fragilidades práticas e institucionais: é esperado que a investigação avalie a adequação dos planos de evacuação, a eficácia das mensagens em múltiplos idiomas e a coordenação entre serviços turísticos e de emergência. O incêndio também ocorre em contexto de várias ondas de calor que deixaram grande parte do país mais seca; até agora foram queimados cerca de 57 mil hectares neste ano, cerca de metade da média das últimas décadas e 40% de toda a área queimada na União Europeia, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.