As principais centrais sindicais da Espanha — UGT e CCOO — anunciaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro em resposta à crise da habitação. A data foi escolhida em coalizão com associações de inquilinos que mobilizam milhares de pessoas em protestos diários desde 23 de setembro contra despejos e altas de preços no mercado de aluguéis e imóveis.

A convocação acontece poucos dias após o presidente do governo, Pedro Sánchez, marcar eleições antecipadas para 29 de novembro, e depois que o Parlamento rejeitou decretos com medidas para o setor. Para os organizadores, a paralisação busca pressionar por políticas que garantam moradia acessível; para críticos, tem claro recorte político no arranque da campanha.

A reação de empresários e da oposição foi imediata. Associações patronais questionaram a legalidade e o oportunismo do movimento por não o considerarem uma questão laboral tradicional; o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais apontou componente eleitoral na convocação. PP e Vox também criticaram o momento e atribuíram aos sindicatos intenção de favorecer agendas partidárias.

Do lado governista, Sánchez afirmou que o direito à greve deve ser respeitado, mas reconheceu o impacto da paralisação sobre trabalhadores e famílias. As centrais defendem reivindicações que ligam salário digno ao acesso a moradia e pretendem transformar a pressão de rua em agenda central da campanha, com possível efeito direto na narrativa dos partidos sobre custo de vida e regulação do mercado imobiliário.

O anúncio reacende a disputa sobre quem arca com o custo político e econômico da crise habitacional. A greve, a primeira convocada por UGT e CCOO desde 2012, pode ampliar a visibilidade do tema e forçar propostas concretas, mas também tende a polarizar o debate eleitoral: empresas prometem ações legais, a oposição trata o movimento como manobra política, e o governo precisa demonstrar resposta eficaz sem perder espaço na campanha.