Madrid iniciou neste sábado a instalação de uma barreira flutuante de 500 metros no quebra-mar de Tarajal, em Ceuta, ponto usado por migrantes para entrar no enclave. A estrutura pneumática, ancorada por boias, fica de 30 a 70 centímetros acima da água e até um metro abaixo da superfície; um canal entre as boias permitirá patrulhas navais da Guarda Civil.
As autoridades espanholas dizem que cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar desde quinta-feira — um fluxo sem precedentes numa das raras fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África. Mais de 48 mil foram devolvidas a Marrocos nas 48 horas seguintes. Ao menos 67 corpos foram recuperados no lado espanhol, entre afogamentos e incidentes no quebra-mar.
O episódio provocou reação em Bruxelas: 22 Estados-membros pediram ações coordenadas e a presidência irlandesa convocou videoconferência de ministros do Interior para terça-feira. O primeiro‑ministro Pedro Sánchez criticou decisões isoladas de outros países dentro de Schengen e reclamou da falta de uma resposta comum. Internamente, o governo afirma ter restabelecido a ordem em grande parte em 24 horas, mas alerta que a crise não terminou.
O ministro do Interior culpou redes de tráfico por explorarem migrantes vulneráveis e por difundir interpretações enganosas de decisões judiciais sobre devoluções no mar. O sindicato da Guarda Civil (AUGC) pediu reforço de pelo menos 200 agentes e advertiu que pessoas podem tentar contornar a barreira a nado. Madri também disse que quem entrou irregularmente em Ceuta não poderá viajar livremente pelo território Schengen, e que saídas por mar e ar passam por checagens de identidade.