O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chegou a Omã no sábado para negociar garantias de trânsito seguro no estratégico Estreito de Ormuz, ponto de escoamento vital para o petróleo mundial. Washington tem exigido um compromisso público do Irã sobre passagem livre e segura de navios, enquanto mediadores regionais, com Omã à frente, tentam organizar uma conversa entre Teerã, EUA, Catar e Paquistão, segundo uma fonte iraniana citada pela agência Reuters.

Não houve registros de novos ataques na sexta-feira nem no início do sábado, mas a escalada recente reacendeu dúvidas sobre um acordo provisório que vinha sendo negociado. Autoridades americanas disseram a repórteres que o Irã atribuiu os recentes incidentes a uma parcela desorientada de seu sistema, informação que teve tom aparentemente conciliador. Ao mesmo tempo, veículos como CBS News e BBC relataram quem seriam os interlocutores norte-americanos designados para conduzir as tratativas, informação posteriormente contestada por fontes iranianas que condicionaram negociações a recuos dos EUA.

A mediação ocorre em contexto árido: desde os ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro — atribuídos a forças dos EUA e de Israel —, a região vive maior insegurança e volatilidade nos mercados. A declaração pública do novo líder supremo do Irã prometendo vingança pela morte do antecessor e imagens de cerimônias fúnebres com faixas hostis mostram que há forte pressão interna por respostas duras, o que restringe a margem de manobra de Teerã nas conversas.

O quadro cria dilemas concretos para Washington: sem uma garantia pública de livre trânsito, a insegurança no Golfo pode persistir, mantendo o preço do petróleo em alta — elemento sensível politicamente para o governo Trump às vésperas das eleições legislativas. A iniciativa de Omã e a participação do Catar apontam para um caminho diplomático, mas a combinação de retórica vingativa iraniana e divisões internas reduz a previsibilidade e complica a implementação de qualquer cessar-fogo provisório.