EUA e Irã iniciaram em Islamabad, no Paquistão, uma rodada de negociações após seis semanas de confrontos que envolveram bombardeios, ataques de retaliação e a morte de lideranças iranianas. O encontro, mediado pelo primeiro‑ministro Shehbaz Sharif, reúne delegações de alto escalão: os americanos são chefiados pelo vice‑presidente JD Vance, com o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner; os iranianos, pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Apesar do gesto diplomático, o clima é de precaução. Autoridades iranianas repetem que chegam ao diálogo marcadas por um histórico de promessas não cumpridas por Washington, enquanto a delegação americana condiciona avanço a garantias concretas sobre comportamento de Teerã. As posições centrais – exigência iraniana de ampliação do cessar‑fogo a outras frentes, como o Líbano, e a demanda americana por salvaguardas nucleares – mostram que o acordo pleno dependerá de concessões difíceis.
O resultado das conversas tem implicações que vão além do simbólico. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, foi diretamente afetado pela escalada. Qualquer prolongamento da instabilidade tende a pressionar preços de energia e a forçar aliados regionais e extra‑regionais a recalibrar posturas de segurança e rotas comerciais. A declaração do presidente dos EUA sobre medidas para reabrir a rota reforça o caráter estratégico do tema.
Politicamente, a rodada em Islamabad funciona como termômetro: ao mesmo tempo em que abre espaço para reduzir a tensão imediata, expõe desgaste de confiança bilateral e coloca sob teste a capacidade de ambos os lados de transformar um cessar‑fogo temporário em compromissos verificáveis. O caminho à frente permanece tortuoso — e qualquer recuo de compromissos ou retorno da violência terá custo econômico e institucional para os envolvidos.