O Irã, os Estados Unidos e o Paquistão afirmaram neste fim de semana ter registrado avanço nas conversas destinadas a encerrar quase três meses de confrontos que fecharam o Estreito de Ormuz a grande parte do tráfego. Autoridades paquistanesas qualificaram o progresso como “encorajador” após o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, se reunir com principais negociadores iranianos em Teerã.
Fontes envolvidas na mediação descrevem uma estrutura em três etapas: um fim formal da guerra, medidas para reabrir e normalizar a navegação no Estreito de Ormuz, e o lançamento de uma janela inicial de 30 dias para negociar um acordo mais amplo — prazo que poderia ser prorrogado. O memorando, se aceito por ambos os lados, abriria espaço para conversas adicionais após o feriado do Eid, segundo relatos.
Apesar do avanço relatado, não há garantia de que Washington aceitará os termos. O presidente Donald Trump disse que avaliaria a versão mais recente do acordo com assessores e deixou claro que está disposto a retomar ataques caso considere necessário, algo que adiciona pressão política interna: ele enfrenta críticas ligadas ao impacto da guerra nos preços de energia e na sua popularidade. O secretário de Estado reiterou exigências americanas sobre impedimento de programa nuclear e liberdade de passagem no estreito; o Irã mantém que seu enriquecimento é de fins civis e exige fim do bloqueio a portos e suspensão de sanções ao petróleo.
O roteiro negociado pelo Paquistão representa uma saída diplomática com potencial para aliviar choques nos mercados de energia e reduzir custos políticos imediatos, mas a concretização depende de decisões delicadas em Washington e da capacidade de atender demandas de segurança e econômicas de Teerã. Se o acordo fracassar, o risco é a retomada das hostilidades e nova escalada regional; se for confirmado, pode oferecer um alívio temporário e a oportunidade para negociações mais amplas.