A tensão entre Estados Unidos e Irã escalou após Teerã rejeitar os termos propostos por Washington para um cessar‑fogo. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que, a partir das 11h desta segunda‑feira (13/4), pelo horário de Brasília, passará a aplicar um bloqueio aos portos iranianos e às embarcações que entrem ou saiam da costa iraniana, medida que na prática implica controle total do Estreito de Ormuz — rota por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial.
A ordem norte‑americana segue anúncio do ex‑presidente Donald Trump em sua plataforma, em que defendeu ação direta para impedir navegação que considere ameaça. Do lado iraniano, autoridades qualificaram as ameaças como risíveis e prometeram resistir: o presidente do Parlamento, Mohammad‑Bagher Ghalibaf, advertiu que responderão caso sejam atacados, e comunicados de imprensa ligados ao Corpo de Guardiões da Revolução aludem a contra‑medidas capazes de prender inimigos em “redemoinhos mortais”.
Analistas ouvidos pelo portal apontam que a decisão americana reforça a tentativa de negar ao Irã qualquer influência sobre a passagem, mas também aumenta o risco de confrontos diretos. Roberto Goulart Menezes, professor de relações internacionais da UnB, avalia que a intenção dos EUA é dominar o canal e que a escalada de interceptações pode levar à retomada de ataques contra o Irã. A ex‑embaixadora paquistanesa Maleeha Lodhi classifica o bloqueio como manobra de altíssimo risco, capaz de expor militares a perigo direto.
Especialistas em segurança internacional lembram que parte da retórica serve a públicos internos de ambos os países e que negociações ainda importam; porém, a imposição prática de um bloqueio tende a pressionar mercados, elevar prêmios de risco e forçar governos e empresas de transporte a recalcular rotas e seguros. O cenário abre uma janela de incerteza institucional e econômica, com potencial de afetar preços do petróleo e de complicar a já frágil estabilidade no Golfo.