EUA e Irã anunciaram nesta quarta-feira um cessar‑fogo de duas semanas que deverá permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem vital para o comércio global de hidrocarbonetos. O acordo, fruto de mediação do Paquistão, foi imediatamente saudado por Washington e Teerã como uma vitória diplomática, mesmo com limites explícitos sobre sua abrangência e duração.

O Irã divulgou um plano de dez pontos que inclui reconhecimento do seu programa de enriquecimento de urânio, o princípio da não agressão e a suspensão de sanções primárias e secundárias; o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano apresentou o pacote como uma demonstração de força. Do lado americano, o presidente classificou o desfecho como uma vitória total e disse que a questão do urânio seria resolvida, sem, porém, detalhar concessões específicas.

Trump descreveu o acordo como uma vitória total.

A trégua prevê negociações em Islamabad entre representantes dos dois países por duas semanas, período que pode ser prorrogado por acordo mútuo. Analistas destacam que, embora a suspensão das hostilidades alivie riscos imediatos ao tráfego no Estreito, o formato das negociações e as demandas iranianas sobre sanções e reconhecimento técnico do enriquecimento colocam pressão política sobre a administração americana.

O entendimento enfrenta contradições concretas: Islamabad anunciou um cessar‑fogo "em todos os lugares, incluindo o Líbano", mas Israel negou que a trégua se aplique ao teatro libanês e manteve movimentações militares e ordens de evacuação no sul de Beirute. Essa divisão expõe o alcance limitado do acordo e a possibilidade de continuidade de confrontos localizados, com impacto direto sobre civis e estabilidade regional.

No Irã a sensação pública é ambígua. Entre entusiasmo oficial e incerteza popular, relatos apontam dúvidas sobre ganhos reais para a economia e para a vida cotidiana, enquanto em Washington a vitória diplomática pode custar politicamente se as negociações não renderem resultados rápidos. Em suma, o cessar‑fogo abre uma janela de negociação, mas não resolve — por ora — as contradições políticas, militares e econômicas que alimentaram o conflito.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o inimigo sofreu uma derrota histórica.