Estados Unidos e Irã iniciam nesta sexta-feira rodada de negociações em Islamabad, capital do Paquistão, numa tentativa de consolidar uma trégua temporária negociada pelo governo paquistanês. O acordo, anunciado em 7/4, previa suspensão dos combates por duas semanas e abriu caminho para encontros diretos entre as partes.
A delegação norte-americana será encabeçada pelo vice-presidente JD Vance, com a presença do enviado para o Oriente Médio Steve Witkoff e de Jared Kushner. O texto do acordo, como reportado, condicionava a interrupção de ataques por EUA e Israel à reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã — rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial —, mas a implementação tem enfrentado resistências.
Desde o anúncio, o cessar-fogo mostrou sinais de fragilidade: ações foram registradas de ambos os lados, o Irã chegou a fechar o estreito após ofensivas israelenses no Líbano — que Teerã afirma terem violado o entendimento — e, depois, anunciou que a passagem estava aberta apenas sob restrições, citando risco de minas e controle da Guarda Revolucionária sobre o tráfego. Donald Trump acusou o Irã de descumprir o pacto e prometeu restabelecer o fluxo de petróleo “com ou sem a cooperação iraniana”.
O quadro expõe um curto circuito entre diplomacia e poder de fogo: a mediação paquistanesa ganha relevância, mas a persistência de ataques e interpretações divergentes sobre o alcance do acordo minam a credibilidade da trégua. Politicamente, o episódio complica a narrativa americana de contenção e impõe pressão para mecanismos de verificação e garantia — caso contrário, a estabilidade do abastecimento global e a própria negociação correm o risco de naufragar diante de novos incidentes.